Carlos Lima* Há uma ideia profundamente incorporada ao debate econômico segundo a qual, em determinadas circunstâncias, seria necessário sacrificar o bem-estar presente para alcançar maior estabilidade e prosperidade no futuro. A política de juros é talvez sua expressão mais evidente. Eleva-se o custo do crédito, reduz-se deliberadamente o consumo, desestimula-se o investimento e aceita-se uma desaceleração da atividade econômica porque, mais adiante, a inflação supostamente estará controlada e a sociedade poderá usufruir de condições melhores. O raciocínio parece coerente quando observado apenas através das variáveis macroeconômicas. Seu problema fundamental é tratar o tempo da economia como se ele fosse também o tempo dos seres humanos. Capital pode ser acumulado, dinheiro pode ser poupado e uma empresa pode transferir determinado investimento de um exercício para outro. Para os seres humanos, entretanto, o tempo é finito e irreversível. Uma criança que passa uma etapa decisiva de su...
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