Por Carlos Lima* A indústria siderúrgica brasileira atravessa um momento de contradição histórica. Em meio a uma conjuntura marcada pela retomada do crescimento, pelo novo ciclo de investimentos em infraestrutura, reindustrialização e transição energética, o setor responde não com ousadia produtiva ou inovação tecnológica, mas com um coro já conhecido: mais tarifas, mais barreiras, mais proteção. Como revelou matéria recente de Jamil Chade no UOL, representantes da siderurgia nacional pressionam o governo federal por novas medidas contra o aço chinês, num tom de urgência que parece mais um grito de socorro de quem se recusa a competir. O problema não está em discutir medidas de defesa comercial. Todo país soberano tem o direito de proteger setores estratégicos quando há riscos reais à sua base produtiva. Mas o que se vê no Brasil é um modelo de protecionismo sem contrapartidas , uma espécie de muleta institucionalizada para um setor que se habituou a operar sob a sombra do Estado, se...
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