Carlos Lima, economista e sócio torcedor do Fluminense Um caminho para profissionalizar, capitalizar e preservar o controle do clube A notícia de que a direção do Fluminense aguarda uma nova proposta para a constituição da SAF, depois de considerar insuficientes as condições apresentadas em 2025, recoloca o debate em bases mais adequadas. A direção está correta ao exigir melhora das condições oferecidas pelos investidores. Mas uma proposta maior não é necessariamente uma proposta estruturalmente melhor. Se o aporte inicialmente previsto de R$ 500 milhões aumentar significativamente, isso melhora a relação econômica da transação, mas não responde à questão principal: por que o Fluminense precisa entregar o controle? Uma proposta de R$ 700 milhões, R$ 800 milhões ou mesmo R$ 1 bilhão pode continuar inadequada se mantiver uma estrutura em que os investidores controlam aproximadamente dois terços da SAF, dominam o Conselho de Administração, recebem a maior parcela da valorização futura e p...
Por Carlos Lima* O Rio de Janeiro consolidou, nas últimas décadas, uma imagem internacional construída sobre sua extraordinária beleza natural, seu patrimônio cultural e sua vocação para receber visitantes. Trata-se de um ativo econômico importante, que deve ser valorizado. O turismo gera empregos, movimenta o comércio, fortalece a cultura, amplia a arrecadação tributária e projeta a cidade no cenário mundial. Nenhuma política séria de desenvolvimento deve ignorar sua relevância. O equívoco começa quando o turismo deixa de ser uma atividade complementar e passa a ocupar o centro da estratégia econômica do poder público. Ao privilegiar uma economia baseada em serviços, entretenimento e grandes eventos, corre-se o risco de substituir um projeto de desenvolvimento por um projeto de consumo. São objetivos distintos. O primeiro produz riqueza; o segundo faz circular riqueza já existente. O desenvolvimento econômico exige muito mais do que fluxo de visitantes. Exige capacidade de produzir co...