Por Carlos Lima* O Rio de Janeiro consolidou, nas últimas décadas, uma imagem internacional construída sobre sua extraordinária beleza natural, seu patrimônio cultural e sua vocação para receber visitantes. Trata-se de um ativo econômico importante, que deve ser valorizado. O turismo gera empregos, movimenta o comércio, fortalece a cultura, amplia a arrecadação tributária e projeta a cidade no cenário mundial. Nenhuma política séria de desenvolvimento deve ignorar sua relevância. O equívoco começa quando o turismo deixa de ser uma atividade complementar e passa a ocupar o centro da estratégia econômica do poder público. Ao privilegiar uma economia baseada em serviços, entretenimento e grandes eventos, corre-se o risco de substituir um projeto de desenvolvimento por um projeto de consumo. São objetivos distintos. O primeiro produz riqueza; o segundo faz circular riqueza já existente. O desenvolvimento econômico exige muito mais do que fluxo de visitantes. Exige capacidade de produzir co...
O "Jogo Vermelho": quando Palmeiras e Corinthians jogaram pelo mesmo lado Por Carlos Lima* Em meio à Copa do Mundo, quando o futebol volta a ocupar o centro das atenções, é comum surgirem lembranças de grandes jogos, craques inesquecíveis e conquistas históricas. Mas algumas histórias revelam muito mais sobre o Brasil do que sobre o próprio esporte. Uma delas aconteceu em São Paulo, em outubro de 1945, quando Palmeiras e Corinthians entraram em campo para disputar um clássico que acabaria entrando para a história política do país. O episódio ficou conhecido décadas depois como o "Jogo Vermelho". A expressão chama atenção, mas muitas vezes acaba escondendo o que realmente torna aquele acontecimento relevante. O mais importante não é que a partida tenha arrecadado recursos para os comunistas. O mais importante é que, naquele momento da história brasileira, o movimento dos trabalhadores e o Partido Comunista do Brasil, então com a sigla PCB, possuíam influência...