Cortar direitos também atinge quem empreende Segundo a Folha de S.Paulo, em matéria publicada em 07/10/2026 a equipe de Flávio Bolsonaro estuda mudanças nas aposentadorias, nos benefícios sociais e no financiamento da saúde e da educação para obter uma economia inicial de até R$ 250 bilhões. Se essas propostas forem adiante as consequências serão catastróficas para os empreendedores, especialmente quem tem um negócio familiar. Sabemos que o pequeno negócio depende de clientes com renda para comprar. Quem frequenta a padaria, o mercadinho, a oficina e o salão de bairro é, em grande parte, trabalhador, aposentado, beneficiários de programas sociais como o bolsa-família ou alguém que vive do próprio trabalho. Quando essa população perde condições de consumir, o estabelecimento vende menos, tem mais dificuldade para pagar as contas e adia investimentos e contratações. Ou seja, os negócios familiares estão diretamente ligados à renda dessas pessoas. Uma das propostas divulgadas pela equipe ...
Carlos Lima* Há uma ideia profundamente incorporada ao debate econômico segundo a qual, em determinadas circunstâncias, seria necessário sacrificar o bem-estar presente para alcançar maior estabilidade e prosperidade no futuro. A política de juros é talvez sua expressão mais evidente. Eleva-se o custo do crédito, reduz-se deliberadamente o consumo, desestimula-se o investimento e aceita-se uma desaceleração da atividade econômica porque, mais adiante, a inflação supostamente estará controlada e a sociedade poderá usufruir de condições melhores. O raciocínio parece coerente quando observado apenas através das variáveis macroeconômicas. Seu problema fundamental é tratar o tempo da economia como se ele fosse também o tempo dos seres humanos. Capital pode ser acumulado, dinheiro pode ser poupado e uma empresa pode transferir determinado investimento de um exercício para outro. Para os seres humanos, entretanto, o tempo é finito e irreversível. Uma criança que passa uma etapa decisiva de su...