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  O "Jogo Vermelho": quando Palmeiras e Corinthians jogaram pelo mesmo lado Por Carlos Lima* Em meio à Copa do Mundo, quando o futebol volta a ocupar o centro das atenções, é comum surgirem lembranças de grandes jogos, craques inesquecíveis e conquistas históricas. Mas algumas histórias revelam muito mais sobre o Brasil do que sobre o próprio esporte. Uma delas aconteceu em São Paulo, em outubro de 1945, quando Palmeiras e Corinthians entraram em campo para disputar um clássico que acabaria entrando para a história política do país. O episódio ficou conhecido décadas depois como o "Jogo Vermelho". A expressão chama atenção, mas muitas vezes acaba escondendo o que realmente torna aquele acontecimento relevante. O mais importante não é que a partida tenha arrecadado recursos para os comunistas. O mais importante é que, naquele momento da história brasileira, o movimento dos trabalhadores e o Partido Comunista do Brasil, então com a sigla PCB, possuíam influência...
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SAF DO FLUMINENSE: GRANDE SALTO FINANCEIRO OU ATALHO DESNECESSÁRIO?

Por Carlos Lima* O debate sobre a transformação do Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol deixou de ser uma hipótese administrativa distante e passou a ocupar o centro da vida política do clube. A proposta apresentada pela diretoria prevê cerca de R$ 6,9 bilhões em investimentos ao longo de dez anos, com assunção integral da dívida e mudança profunda no modelo de governança. A pergunta central, porém, permanece: trata-se de um grande negócio financeiro ou de um atalho que talvez não seja necessário caso o clube avance em eficiência de gestão? Os números ajudam a colocar o debate em perspectiva. Nos últimos anos, o Fluminense operou com receitas anuais entre R$ 450 e R$ 600 milhões, fortemente condicionadas ao desempenho esportivo, sobretudo em competições internacionais. Um valor médio prudente para análise é R$ 500 milhões por ano, o que projeta algo em torno de R$ 5 bilhões de receitas brutas ao longo de uma década. Aqui é preciso fazer uma distinção básica, frequentemente igno...

EMPREGO FORMAL É O CAMINHO DA CLASSE TRABALHADORA

Com o emprego formal como eixo da classe trabalhadora, é dever do sindicalismo também defender e organizar os trabalhadores plataformizados. Por Carlos Lima – economista e dirigente sindical bancário O Brasil vive um momento decisivo. Com a retomada da agenda de desenvolvimento promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política de valorização do salário-mínimo, o fortalecimento das negociações tripartites e a volta do investimento industrial — impulsionada por programas como o Nova Indústria Brasil, o PAC, o papel reativado do BNDES e a recuperação da capacidade de planejamento do Estado — recoloca-se no horizonte a possibilidade concreta de reconstruir o emprego formal em larga escala. Este cenário reposiciona o debate sobre o futuro do trabalho no país e exige que o sindicalismo formule respostas à altura do novo ciclo histórico em disputa. Nos últimos anos, a destruição de direitos, a recessão social e a expansão do trabalho por plataformas digitais aprofund...

A lição sociológica do caso Esquerdogata

Por Carlos Lima Nos últimos dias, o nome de uma influenciadora conhecida como Esquerdogata dominou as redes sociais após ser detida em uma ocorrência policial e reagir com deboche aos agentes, comparando o preço de sua sandália com o carro deles. A cena, amplamente divulgada, gerou indignação até mesmo entre militantes de esquerda, que viram no gesto uma contradição profunda com os valores que ela dizia defender. O episódio, porém, ultrapassa o erro individual. Ele evidencia as tensões de uma época em que a militância política se expressa, em grande parte, nas redes — território onde convivem, lado a lado, a luta genuína e o narcisismo travestido de consciência. As redes se tornaram ferramentas indispensáveis para denunciar injustiças, mobilizar solidariedade e dar visibilidade a causas populares. Mas também podem transformar a política em espetáculo, quando a busca por relevância supera o compromisso com o coletivo. O comportamento arrogante diante de trabalhadores expôs um traço d...

INDICAÇÃO DE CAROL PRONER PODE FAZER O STF REENCONTRAR O BRASIL REAL

Com a saída de Barroso, o STF abre espaço para uma decisão que vai muito além do nome. A escolha de Lula mostrará se o Brasil continuará preso à conciliação liberal ou se iniciará o reencontro do Judiciário com o povo. Uma indicação como a de Carol Proner teria força histórica e transformadora. por Carlos Lima A aposentadoria de Luís Roberto Barroso marca o fim de um ciclo. O ministro que defendeu as instituições contra o autoritarismo bolsonarista foi também um dos símbolos da virada liberal do Supremo, que desde 2017 reescreve a Constituição de 1988 à luz do mercado. Sob sua pena e influência, consolidaram-se a terceirização irrestrita, o negociado sobre o legislado e a fragilização dos sindicatos. Agora, o Brasil se depara com uma encruzilhada. A vaga aberta no STF não é apenas uma substituição — é uma escolha de rumo político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de decidir se manterá o perfil conciliador que caracteriza as últimas indicações ou se ousará fazer uma inf...

RODRIGO PACHECO E O RISCO DE CRIAR NOVOS CORVOS NO SUPREMO

A sucessão de Barroso definirá se o STF continuará servindo ao mercado ou se reencontrará com o povo. Indicar um liberal “moderado” como Pacheco seria repetir o erro de alimentar o inimigo de classe em nome da conciliação. foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto por Carlos Lima Cría cuervos y te sacarán los ojos. O velho provérbio espanhol nunca soou tão atual. Significa, em tradução livre: crie corvos e eles te arrancarão os olhos . É a metáfora perfeita para descrever a armadilha histórica em que caem governos progressistas quando, em nome da estabilidade institucional, entregam o poder a representantes das elites liberais travestidos de democratas . No Brasil, o exemplo mais visível desse risco é a sucessão de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Entre os nomes ventilados, o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco desponta como símbolo da “moderação”. Mas esse tipo de moderação é o verniz elegante do conservadorismo econômico. É a falsa neutralid...

Seção do CES é lançada no Rio de Janeiro com foco na formação classista

"Viva o CES! Viva a Classe Trabalhadora! Viva o Socialismo!" Foi com essas palavras de entusiasmo e compromisso que terminou a cerimônia de lançamento do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES) no estado do Rio de Janeiro. Realizado na tarde do dia 26 de setembro , o evento marcou oficialmente a criação da Seção RJ do CES Nacional e reuniu dezenas de dirigentes sindicais, militantes, lideranças políticas e ativistas no auditório do SINTECT-RJ , no Centro do Rio. O ato foi conduzido por Liliana Aparecida de Lima , Coordenadora Geral do CES Nacional, e por Augusto César Petta , um dos fundadores e atual Coordenador de Formação da entidade. Também esteve à frente dos trabalhos Carlos Lima (Carlão) , que assumiu a Coordenação Geral da nova seção fluminense. Ao final da atividade, foi aprovada por aclamação a criação oficial da Seção CES-RJ como parte integrante do CES Nacional, além da eleição da coordenação local, composta por: Coordenação Geral: Carlos L...