Carlos Lima* Há uma ideia profundamente incorporada ao debate econômico segundo a qual, em determinadas circunstâncias, seria necessário sacrificar o bem-estar presente para alcançar maior estabilidade e prosperidade no futuro. A política de juros é talvez sua expressão mais evidente. Eleva-se o custo do crédito, reduz-se deliberadamente o consumo, desestimula-se o investimento e aceita-se uma desaceleração da atividade econômica porque, mais adiante, a inflação supostamente estará controlada e a sociedade poderá usufruir de condições melhores. O raciocínio parece coerente quando observado apenas através das variáveis macroeconômicas. Seu problema fundamental é tratar o tempo da economia como se ele fosse também o tempo dos seres humanos. Capital pode ser acumulado, dinheiro pode ser poupado e uma empresa pode transferir determinado investimento de um exercício para outro. Para os seres humanos, entretanto, o tempo é finito e irreversível. Uma criança que passa uma etapa decisiva de su...
Carlos Lima* O Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Renda do Rio de Janeiro (CETER/RJ) aprovou por maioria, em sua 170ª Reunião Ordinária, realizada em 27 de agosto de 2026, a proposta da Bancada dos Trabalhadores para o Piso Salarial Estadual de 2027. A decisão representa um passo importante para recuperar a política de valorização do trabalho no Estado e atualizar uma legislação que precisa acompanhar as transformações da economia e o custo de vida da população fluminense. A proposta estabelece quatro faixas salariais: R$ 1.920,60 na Faixa I; R$ 2.673,00 na Faixa II; R$ 3.821,40 na Faixa III; e R$ 4.811,40 na Faixa IV. Os valores foram organizados de acordo com a qualificação, a responsabilidade e a complexidade das diferentes ocupações. A nova estrutura reconhece tanto os trabalhadores da indústria, dos serviços, do comércio, da construção, da alimentação, da limpeza e do cuidado quanto os técnicos e profissionais de nível superior que movimentam as cadeias produtivas do Rio...