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FLUMINENSE: ALTERNATIVAS DE CAPITALIZAÇÃO NÃO COMBINAM COM ENTREGA DE CONTROLE

Carlos Lima, economista e sócio torcedor do Fluminense Um caminho para profissionalizar, capitalizar e preservar o controle do clube A notícia de que a direção do Fluminense aguarda uma nova proposta para a constituição da SAF, depois de considerar insuficientes as condições apresentadas em 2025, recoloca o debate em bases mais adequadas. A direção está correta ao exigir melhora das condições oferecidas pelos investidores. Mas uma proposta maior não é necessariamente uma proposta estruturalmente melhor. Se o aporte inicialmente previsto de R$ 500 milhões aumentar significativamente, isso melhora a relação econômica da transação, mas não responde à questão principal: por que o Fluminense precisa entregar o controle? Uma proposta de R$ 700 milhões, R$ 800 milhões ou mesmo R$ 1 bilhão pode continuar inadequada se mantiver uma estrutura em que os investidores controlam aproximadamente dois terços da SAF, dominam o Conselho de Administração, recebem a maior parcela da valorização futura e p...
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Turismo não é projeto de desenvolvimento

Por Carlos Lima* O Rio de Janeiro consolidou, nas últimas décadas, uma imagem internacional construída sobre sua extraordinária beleza natural, seu patrimônio cultural e sua vocação para receber visitantes. Trata-se de um ativo econômico importante, que deve ser valorizado. O turismo gera empregos, movimenta o comércio, fortalece a cultura, amplia a arrecadação tributária e projeta a cidade no cenário mundial. Nenhuma política séria de desenvolvimento deve ignorar sua relevância. O equívoco começa quando o turismo deixa de ser uma atividade complementar e passa a ocupar o centro da estratégia econômica do poder público. Ao privilegiar uma economia baseada em serviços, entretenimento e grandes eventos, corre-se o risco de substituir um projeto de desenvolvimento por um projeto de consumo. São objetivos distintos. O primeiro produz riqueza; o segundo faz circular riqueza já existente. O desenvolvimento econômico exige muito mais do que fluxo de visitantes. Exige capacidade de produzir co...
  O "Jogo Vermelho": quando Palmeiras e Corinthians jogaram pelo mesmo lado Por Carlos Lima* Em meio à Copa do Mundo, quando o futebol volta a ocupar o centro das atenções, é comum surgirem lembranças de grandes jogos, craques inesquecíveis e conquistas históricas. Mas algumas histórias revelam muito mais sobre o Brasil do que sobre o próprio esporte. Uma delas aconteceu em São Paulo, em outubro de 1945, quando Palmeiras e Corinthians entraram em campo para disputar um clássico que acabaria entrando para a história política do país. O episódio ficou conhecido décadas depois como o "Jogo Vermelho". A expressão chama atenção, mas muitas vezes acaba escondendo o que realmente torna aquele acontecimento relevante. O mais importante não é que a partida tenha arrecadado recursos para os comunistas. O mais importante é que, naquele momento da história brasileira, o movimento dos trabalhadores e o Partido Comunista do Brasil, então com a sigla PCB, possuíam influência...

SAF DO FLUMINENSE: GRANDE SALTO FINANCEIRO OU ATALHO DESNECESSÁRIO?

Por Carlos Lima* O debate sobre a transformação do Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol deixou de ser uma hipótese administrativa distante e passou a ocupar o centro da vida política do clube. A proposta apresentada pela diretoria prevê cerca de R$ 6,9 bilhões em investimentos ao longo de dez anos, com assunção integral da dívida e mudança profunda no modelo de governança. A pergunta central, porém, permanece: trata-se de um grande negócio financeiro ou de um atalho que talvez não seja necessário caso o clube avance em eficiência de gestão? Os números ajudam a colocar o debate em perspectiva. Nos últimos anos, o Fluminense operou com receitas anuais entre R$ 450 e R$ 600 milhões, fortemente condicionadas ao desempenho esportivo, sobretudo em competições internacionais. Um valor médio prudente para análise é R$ 500 milhões por ano, o que projeta algo em torno de R$ 5 bilhões de receitas brutas ao longo de uma década. Aqui é preciso fazer uma distinção básica, frequentemente igno...

EMPREGO FORMAL É O CAMINHO DA CLASSE TRABALHADORA

Com o emprego formal como eixo da classe trabalhadora, é dever do sindicalismo também defender e organizar os trabalhadores plataformizados. Por Carlos Lima – economista e dirigente sindical bancário O Brasil vive um momento decisivo. Com a retomada da agenda de desenvolvimento promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política de valorização do salário-mínimo, o fortalecimento das negociações tripartites e a volta do investimento industrial — impulsionada por programas como o Nova Indústria Brasil, o PAC, o papel reativado do BNDES e a recuperação da capacidade de planejamento do Estado — recoloca-se no horizonte a possibilidade concreta de reconstruir o emprego formal em larga escala. Este cenário reposiciona o debate sobre o futuro do trabalho no país e exige que o sindicalismo formule respostas à altura do novo ciclo histórico em disputa. Nos últimos anos, a destruição de direitos, a recessão social e a expansão do trabalho por plataformas digitais aprofund...

A lição sociológica do caso Esquerdogata

Por Carlos Lima Nos últimos dias, o nome de uma influenciadora conhecida como Esquerdogata dominou as redes sociais após ser detida em uma ocorrência policial e reagir com deboche aos agentes, comparando o preço de sua sandália com o carro deles. A cena, amplamente divulgada, gerou indignação até mesmo entre militantes de esquerda, que viram no gesto uma contradição profunda com os valores que ela dizia defender. O episódio, porém, ultrapassa o erro individual. Ele evidencia as tensões de uma época em que a militância política se expressa, em grande parte, nas redes — território onde convivem, lado a lado, a luta genuína e o narcisismo travestido de consciência. As redes se tornaram ferramentas indispensáveis para denunciar injustiças, mobilizar solidariedade e dar visibilidade a causas populares. Mas também podem transformar a política em espetáculo, quando a busca por relevância supera o compromisso com o coletivo. O comportamento arrogante diante de trabalhadores expôs um traço d...

INDICAÇÃO DE CAROL PRONER PODE FAZER O STF REENCONTRAR O BRASIL REAL

Com a saída de Barroso, o STF abre espaço para uma decisão que vai muito além do nome. A escolha de Lula mostrará se o Brasil continuará preso à conciliação liberal ou se iniciará o reencontro do Judiciário com o povo. Uma indicação como a de Carol Proner teria força histórica e transformadora. por Carlos Lima A aposentadoria de Luís Roberto Barroso marca o fim de um ciclo. O ministro que defendeu as instituições contra o autoritarismo bolsonarista foi também um dos símbolos da virada liberal do Supremo, que desde 2017 reescreve a Constituição de 1988 à luz do mercado. Sob sua pena e influência, consolidaram-se a terceirização irrestrita, o negociado sobre o legislado e a fragilização dos sindicatos. Agora, o Brasil se depara com uma encruzilhada. A vaga aberta no STF não é apenas uma substituição — é uma escolha de rumo político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de decidir se manterá o perfil conciliador que caracteriza as últimas indicações ou se ousará fazer uma inf...