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CETER/RJ aprova proposta de novo piso e recoloca o trabalho no centro do desenvolvimento do Rio

Carlos Lima*

O Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Renda do Rio de Janeiro (CETER/RJ) aprovou por maioria, em sua 170ª Reunião Ordinária, realizada em 27 de agosto de 2026, a proposta da Bancada dos Trabalhadores para o Piso Salarial Estadual de 2027. A decisão representa um passo importante para recuperar a política de valorização do trabalho no Estado e atualizar uma legislação que precisa acompanhar as transformações da economia e o custo de vida da população fluminense.

A proposta estabelece quatro faixas salariais: R$ 1.920,60 na Faixa I; R$ 2.673,00 na Faixa II; R$ 3.821,40 na Faixa III; e R$ 4.811,40 na Faixa IV. Os valores foram organizados de acordo com a qualificação, a responsabilidade e a complexidade das diferentes ocupações. A nova estrutura reconhece tanto os trabalhadores da indústria, dos serviços, do comércio, da construção, da alimentação, da limpeza e do cuidado quanto os técnicos e profissionais de nível superior que movimentam as cadeias produtivas do Rio de Janeiro.

A proposta protege os trabalhadores das ocupações relacionadas que não tenham piso definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.

A projeção atual do salário mínimo nacional para 2027 é de R$ 1.741,00. A Faixa I proposta fica R$ 179,60 acima desse valor, uma diferença de 10,32%. Para cada trabalhador que passaria a receber apenas o mínimo nacional, o piso estadual acrescentará aproximadamente R$ 2.394,67 por ano, considerando os salários mensais, o 13º e o terço de férias, além dos reflexos sobre FGTS, horas extras e verbas rescisórias.

É dinheiro que vai diretamente para a economia. Trabalhadores de menor renda utilizam a maior parte do salário no pagamento da alimentação, do aluguel, do transporte, da energia, dos medicamentos e das demais necessidades familiares. Essa renda circula nos supermercados, nas farmácias, nas feiras, no comércio de bairro e nos pequenos negócios, movimentando a economia dos municípios e contribuindo também para a arrecadação estadual e municipal.

O piso regional é especialmente importante diante do custo de vida do Rio de Janeiro. Em julho de 2026, a cesta básica na capital custava R$ 855,37, uma das mais caras do país. Elevar os menores salários significa ampliar o poder de compra e dar às famílias trabalhadoras melhores condições para enfrentar as despesas cotidianas.

A proposta também valoriza a qualificação profissional. A Faixa II estabelece uma referência para trabalhadores de transporte, manutenção, construção, saneamento, energia e atividades industriais. A Faixa III alcança técnicos de saúde, tecnologia, segurança do trabalho, logística, petróleo, indústria e outros segmentos estratégicos. A Faixa IV protege profissionais de nível superior e combate a contratação de trabalhadores qualificados por salários incompatíveis com sua formação e responsabilidade.

Outro avanço é a organização das categorias pelas famílias da Classificação Brasileira de Ocupações. A antiga enumeração de cargos deixava lacunas e não acompanhava as mudanças do mercado de trabalho. A utilização da CBO amplia a proteção, facilita a identificação dos direitos e impede que a simples mudança do nome de uma função seja usada para afastar o trabalhador da faixa salarial correspondente.

A proposta também determina a observância dos pisos nas terceirizações dos Poderes do Estado, da administração indireta e das Organizações Sociais. Isso protege trabalhadores da limpeza, conservação, vigilância, recepção, alimentação, manutenção, saúde, tecnologia e apoio administrativo. A disputa pelos contratos públicos não deve ocorrer mediante o rebaixamento dos salários de quem executa os serviços.

O significado político da aprovação é igualmente relevante. A Bancada dos Trabalhadores apresentou uma proposta completa, com fundamentação econômica, metodologia de classificação e minuta de projeto de lei. O CETER/RJ cumpriu seu papel como espaço de diálogo, formulação e deliberação sobre as políticas de trabalho, emprego e renda. A decisão demonstra que os trabalhadores organizados podem transformar suas reivindicações em propostas concretas para o desenvolvimento estadual.

O Rio de Janeiro precisa crescer, gerar empregos e recuperar sua capacidade produtiva. Mas o desenvolvimento somente chega à vida do povo quando aparece também nos salários, no poder de compra e nas condições de trabalho. Ao aprovar a nova proposta para o Piso Salarial Estadual de 2027, o CETER/RJ recoloca a valorização do trabalho no centro da economia fluminense.

Com a decisão do CETER/RJ, cabe agora ao Poder Executivo estadual dar prosseguimento à tramitação e encaminhar o projeto de lei à ALERJ. As Centrais Sindicais estarão vigilantes na luta pela aprovação da proposta.

 

*Carlos Lima é economista e conselheiro da Bancada dos Trabalhadores no CETER/RJ.

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