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CORTES DE FLÁVIO ATINGEM EMPREENDEDORES


Cortar direitos também atinge quem empreende

Segundo a Folha de S.Paulo, em matéria publicada em 07/10/2026 a equipe de Flávio Bolsonaro estuda mudanças nas aposentadorias, nos benefícios sociais e no financiamento da saúde e da educação para obter uma economia inicial de até R$ 250 bilhões. Se essas propostas forem adiante as consequências serão catastróficas para os empreendedores, especialmente quem tem um negócio familiar.

Sabemos que o pequeno negócio depende de clientes com renda para comprar. Quem frequenta a padaria, o mercadinho, a oficina e o salão de bairro é, em grande parte, trabalhador, aposentado, beneficiários de programas sociais como o bolsa-família ou alguém que vive do próprio trabalho. Quando essa população perde condições de consumir, o estabelecimento vende menos, tem mais dificuldade para pagar as contas e adia investimentos e contratações. Ou seja, os negócios familiares estão diretamente ligados à renda dessas pessoas.

Uma das propostas divulgadas pela equipe de Flávio Bolsonaro é desvincular dos aumentos reais do salário mínimo as aposentadorias e os benefícios que hoje acompanham seu valor, incluindo o BPC, destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Isso permitiria corrigir esses pagamentos apenas pela inflação, mesmo quando o salário mínimo tivesse um aumento maior que a alta dos preços. Os beneficiários perderiam a melhoria de renda proporcionada pela regra atual. A economia para o governo corresponderia a dinheiro que deixaria de chegar às famílias e de movimentar o comércio e serviços.

Esse caminho pode atingir o pequeno negócio por dois lados. A restrição dos aumentos limita o crescimento das compras de seus clientes. Ao mesmo tempo, se o financiamento da saúde e da educação não acompanhar as necessidades da população e os serviços piorarem, as famílias que puderem pagar terão mais despesas com consultas, exames ou escola particular. Sobra menos para outras compras, enquanto o próprio dono do estabelecimento também pode precisar gastar mais para atender às necessidades de sua família.

O alcance desse problema é expressivo. Segundo dados divulgados pelo Sebrae em junho de 2026, o Brasil tinha 24,4 milhões de pequenos negócios. As micro e pequenas empresas criaram mais de 1 milhão de empregos com carteira assinada em 2025, cerca de 80% do aumento total das vagas naquele ano. Enfraquecer suas vendas pode comprometer uma parte importante da geração de trabalho e renda.

O discurso de apoio ao empreendedorismo precisa ser confrontado com esses efeitos. Enquanto nos governos Lula o pequeno empreendedor tem melhores condições de prosperar, na proposta de Flávio Bolsonaro ocorre o inverso. Conter despesas públicas pode melhorar determinados resultados do orçamento, mas também pode reduzir a renda que sustenta o comércio e transferir custos para as famílias. O resultado de uma política econômica precisa ser avaliado também pelo que acontece com as vendas, os empregos e as condições de vida.

Os interesses dentro do mundo empresarial também são diferentes. Grandes grupos podem encontrar oportunidades na expansão dos serviços privados de saúde e educação, enquanto estabelecimentos menores enfrentam clientes com menos dinheiro disponível. Uma política favorável a determinados investidores pode aumentar as dificuldades de quem mantém um negócio com o próprio trabalho.

As escolhas políticas têm consequências que chegam ao salário, à aposentadoria e ao caixa dos estabelecimentos. O risco de avaliar um projeto apenas por suas promessas de crescimento ou apoio ao empreendedorismo é deixar de examinar medidas que podem enfraquecer justamente a renda e os serviços que sustentam a economia cotidiana. Por isso, o debate público precisa mostrar quem ganha, quem assume os custos e quais efeitos cada proposta pode produzir sobre direitos, empregos e pequenos negócios. Com o segundo turno se aproximando o povo trabalhador e empreendedor precisa estar consciente de quem está tirando seu cliente com um falso discurso de corte de despesas, quando na verdade esse corte é de renda e direitos. Lula representa o progresso, o desenvolvimento e aumento de oportunidades de emprego e empreendedorismo. Flávio Bolsonaro representa cortes na saúde e na educação, desemprego, menos direitos e a falência dos pequenos negócios.

Carlos Lima, economista e dirigente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro



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