Por Carlos Lima
A nova crise que atinge o INSS — com mais de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas prejudicados e um rombo estimado em R$ 6,3 bilhões — ganhou as manchetes do país nas últimas semanas. A operação “Sem Desconto”, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, revelou um esquema escandaloso: entidades fantasmas, criadas para simular representatividade, aplicaram golpes em beneficiários por meio de descontos indevidos, sem autorização, usando assinaturas falsificadas e outros artifícios criminosos.
Mas há algo que precisa ficar muito claro, e que a mídia tradicional faz questão de obscurecer: os sindicatos e centrais sindicais legítimas — aquelas com décadas de história e luta ao lado da classe trabalhadora — não têm qualquer ligação com essas práticas. Estamos falando de associações de fachada, muitas delas criadas apenas para explorar aposentados e pensionistas vulneráveis, em conluio com setores dentro da própria máquina estatal fragilizada.
É a mesma história de sempre: usa-se um escândalo pontual para criminalizar, de forma generalizada, o sindicalismo e semear a desconfiança entre os trabalhadores e suas próprias organizações. Não é de hoje que a elite neoliberal brasileira aposta no enfraquecimento da Previdência pública, criando crises e aproveitando qualquer episódio para justificar o avanço de propostas privatizantes.
Não por acaso, enquanto essa fraude mobiliza manchetes, os grandes devedores da Previdência Social — bancos, conglomerados do agronegócio e grandes empresários — continuam intocados, devendo bilhões aos cofres públicos sem que o mesmo rigor seja aplicado. Quem está realmente saqueando a Previdência? Quem são os verdadeiros parasitas do sistema? A resposta é conhecida, mas convenientemente silenciada.
O governo anunciou que criará um canal específico para ressarcir os aposentados prejudicados. Medida necessária, sem dúvida, mas insuficiente se não vier acompanhada de um movimento mais profundo: fortalecer o INSS, valorizar seus servidores, ampliar a fiscalização e endurecer as regras para impedir que essas entidades fraudulentas tenham espaço para operar.
Mais do que nunca, é hora de os sindicatos legítimos se levantarem contra essa fraude e denunciarem a tentativa de misturar o joio com o trigo. A luta é dupla: proteger os direitos dos aposentados e defender a Previdência Social como pilar fundamental da proteção social no Brasil.
Enquanto isso, a velha elite rentista segue seu jogo, apostando no desgaste da máquina pública para, mais adiante, apresentar “soluções mágicas” — quase sempre baseadas na privatização e no desmonte. A verdadeira fraude, essa sim estrutural e histórica, continua sendo o projeto de destruição da Previdência pública para beneficiar poucos às custas de muitos.
E contra isso, só há um caminho: resistência, organização e consciência de classe.
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